IDENTIDADE DE GÊNERO: TRANS OU CIS? O QUE ISSO QUER DIZER?




    Para começarmos a discutir identidade de gênero, precisamos primeiro falar sobre gênero.


    A palavra "gênero" de acordo com o dicionário é um substantivo masculino e significa "conjunto de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela similitude de uma ou mais particularidades" ou seja, uma forma de categorizar coisas e seres, subdividindo-os em grupos de acordo com suas similaridades.

    Quando falamos de gênero dentro do campo da sexualidade e da diversidade de identidades possíveis, estamos falando do sistema binário de gênero imposto intrinsicamente pela cultura (principalmente a cultura ocidental) e seus conflitos com aqueles que "fogem" dessa margem de normatividade binária de gênero.

    Estas normas deste sistema de gêneros determina que meninos vestem azul, brincam de carrinho e se tornam homens que posteriormente, tem o papel de prover a casa, proteger a família e serem "machos" frios e resistentes. Essas normas, quando direcionadas às mulheres, condizem quem as meninas devem vestir rosa, brincar de boneca e se tornarem mães que cozinham, cuidam dos filhos com instintos maternais de uma "fêmea".

    Como você deve perceber, esse sistema binário de gênero é impregnado pelo que chamamos de machismo e, tudo e todos que fogem dessa normatividade, são taxados de estranhos, abominações (e qualquer outro tipo de adjetivo pejorativo utilizado até os tempos atuais para a comunidade LGBTQIAP+).

    O preconceito ainda existe, e a transfobia não é brincadeira. É CRIME.

    Depois de clarificar para você o que significa gênero, podemos partir para o centro de nossa discussão nesta postagem: Identidade de gênero.

IDENTIDADE DE GÊNERO

    Identidade de gênero é modo como o indivíduo se identifica (ou não) com um determinado gênero.

    É como a pessoa se reconhece dentro dos parâmetros de gênero construídos socialmente: homem, mulher, ambos ou nenhum dos gêneros. Espera aí! Ficou confuso? Continua lendo:

    O que determina a identidade de gênero é a maneira como a pessoa se sente e se percebe, assim como a forma que ela deseja ser reconhecida pelas outras pessoas. Essas sensações e percepções são desenvolvidas desde muito cedo, inclusive alguns estudos apontam que quimicamente nossa formação fetal pode colaborar para a construção das identidades de gênero. 




    Sendo assim, a construção de uma identidade de gênero é multifatorial, sendo impossível de controlar ou ter "poder de escolha". Ou seja, ninguém escolhe ser cis ou trans, nascemos assim e decidimos assumir essa nossa característica ou não de acordo com nossas interpretações e percepções (isso sim é uma escolha, mas saiba que se escolher inadequadamente pode causar sofrimento).

    A identidade de gênero pode ser percebida em diferentes graus do que o sistema binário de gênero chama de masculinidade e/ou feminilidade, sendo que estes podem mudar no decorrer da vida ou a pessoa pode se identificar entre esses dois termos misturando-os ou fugir completamente dos dois. Ainda confuso? Leia até o fim.

    Existem três principais tipos de identidade de gênero: transgêneros, cisgêneros e não-binários.

CISGÊNERO ou TRANGÊNERO?

    A pessoa cisgênero é aquela que se identifica com o gênero tradicionalmente imposto pela cultura e interligado com o sexo biológico.

    Suponhamos que um menino nasça, cresça brincando com carrinhos e jogando futebol, as vezes brinca de casinha com a sua irmã. Quando atinge uma certa idade e obtém um determinado repertório para compreender sua própria identidade, ele se denomina homem cis gênero. Ou seja, um menino/homem que se identifica no gênero masculino.

    Quando essa percepção sobre a própria identidade vai "contra" o que lhe é apresentado culturalmente, a identidade de gênero se conceitua como transgênero (trans), exemplo:

    Uma menina nasce em uma determinada família, brincando com bonecas, carrinhos e jogando vôlei. Se apaixona por um dos meninos da sua sala no ensino fundamental e quando atinge uma certa idade, percebe que seu corpo não é o seu corpo de verdade.

    A visão de si própria se torna algo distorcido e doloroso, tanto que lhe causa a vontade de modificar esse corpo (muitas pessoas fazem isso, vamos falar sobre reafirmação de gênero em breve).

    Até que essa "menina" se identifica como "menino", decide utilizar pronomes masculinos (ele/dele) e até mesmo mudar seu nome. Depois inicia seu processo de transição para alcançar um corpo que fiquem confortáveis ao seu olhar, sentir, tocar e pensar.

    Tenho que ressalvar aqui, que essa necessidade de transicionar não é um padrão genérico em todos os corpos trans, pois estes podem ter qualquer formato e ainda afirmar uma determinada identidade. Isso mesmo! Homens podem ter peitos e mulheres podem ter pênis.

NÃO-BINARIEDADE



    A não-binaridade é a forma como se descreve um sistema diferente daquele que discutimos no inicio desta publicação, pois pessoas não binárias não se encaixam em nenhum rótulo masculino e/ou feminino, ou então fluem através destes conceitos, utilizando os símbolos (corporais e visuais) para representar uma "terceira" identidade de gênero.

    Como dito anteriormente, homens podem ter peitos, mulheres podem ter pênis. Assim como mulheres podem usar roupas largas e bigodes, tanto quanto homens podem usar saias e andar de salto alto.

EM CONCLUSÃO

    A complexidade dos multifatores que promovem a construção da identidade de gênero, torna impossível compreender e/ou manipular todas as origens possíveis desta diversidade que hoje enxergamos com maior visibilidade no mundo.

    Na minha percepção como profissional, não precisamos "cientificar" tudo e todos, mas sim empatizar com suas dores e dificuldades, respeitando-as e promovendo um contexto mais acolhedor para estes seres que tanto sofrem o preconceito de uma sociedade machista e heteronormativa.

    Outro ponto que não pode ser deixado de lado é que Dragqueen é uma forma de arte e não uma identidade de gênero, na qual uma pessoa se veste de forma contrária ao seu gênero "tradicional" para performar da forma mais extravagante possível (eu amo).

    Vamos parar de confundir os termos e entender melhor antes de julgar, criticar ou violentar a população LGBTQIAP+? Se ficou com alguma dúvida, basta comentar nessa postagem que responderei em breve.

    Vale lembrar sempre que LGBTFOBIA É CRIME!

    Até mais meus orgulhosos de plantão 💖


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